Ilha Gorriti e Isla de Lobos: as duas ilhas da frente
Notas da Andante · 6 min de leitura
Da península dá para ver duas ilhas, e elas não se visitam do mesmo jeito. Para a Gorriti a travessia leva quinze minutos, você passa o dia lá e volta no fim da tarde. Para a Isla de Lobos existe passeio de barco, mas ele dá a volta na ilha e não encosta: desde agosto de 2024 ela é Parque Nacional e o desembarque de visitantes está proibido por decreto.
- De onde sai
- Do porto de Punta del Este, passagem no próprio cais
- Quanto dura a travessia
- 15 minutos; a ilha fica a uns 2 km
- Saídas para a Gorriti
- De meia em meia hora a partir das 9h, conforme o tempo
- Quanto custa
- $500 ida e volta, uns US$ 12; crianças de 3 a 9 anos, $400
- Isla de Lobos
- Passeio de cerca de duas horas, a 8,1 km da costa
- Descer na Isla de Lobos
- Proibido por decreto desde agosto de 2024
Como chegar à Ilha Gorriti
De lancha, saindo do porto. Você compra a passagem ali mesmo, no cais: quem faz as saídas são a Dimar Tours e a Crucero Samoa, as duas empresas com loja no porto. A travessia leva uns quinze minutos e o desembarque é em Puerto Cañón, um cais pequeno do lado leste da ilha.
As lanchas saem de meia em meia hora a partir das nove da manhã, e a última volta sai da ilha por volta das 18h15. O horário de retorno é entregue escalonado na hora de comprar a passagem, para que não volte todo mundo na mesma viagem. Tudo isso depende do tempo: com vento, onda ou maré baixa a travessia para, então fora de janeiro e fevereiro vale ligar antes de montar o dia.
A passagem de ida e volta custa $500 por pessoa, uns US$ 12, e $400 para crianças de 3 a 9 anos; menores de 3 não pagam. São os preços publicados pelas empresas em setembro de 2026 e sobem na alta temporada: use como ordem de grandeza, não como tabela.
Desse mesmo cais sai também o passeio narrado da Andante pela península: o porto é uma das paradas dele, e o que hoje é a doca das lanchas foi por décadas o porto dos pescadores.
O que tem na Ilha Gorriti
Duas praias, um bosque de pinheiros e as ruínas de um forte. Do lado oeste fica a Playa Honda, onde os veleiros ancoram e onde o parador abre no verão; do lado norte, a Praia Puerto Jardín, mais abrigada. A água é a mesma da Mansa, sem onda, e na temporada a brigada de salva-vidas da prefeitura de Maldonado mantém um posto na ilha, como no resto da costa do departamento.
Do cais saem trilhas de areia que atravessam o pinhal. Não há vila, nem mercado, nem caixa eletrônico: a ilha é reserva natural e Patrimônio Histórico Nacional, e por isso não se constrói nada nela. Leve o mesmo que levaria para a praia, cadeira, guarda-sol, cooler, água e comida, e a única coisa expressamente proibida é fazer fogo. Fora de temporada, com o parador fechado, o que você não levou não existe.
A ilha que ficou com o nome do próprio preso
A ilha leva o sobrenome de Francisco Gorriti, comandante espanhol e chefe de Montevidéu na primeira metade do século XVIII, que mandou levantar ali uma fortificação para conter o avanço português sobre o Rio da Prata. O que grudou o nome, porém, não foi a obra: em 1752 o próprio Gorriti passou um ano preso na ilha por se recusar a participar de uma expedição militar contra os indígenas da região, e essa prisão ficou mais conhecida que o forte.
A defesa de Maldonado eram sete baterias de pedra: três na costa e quatro aqui, cruzando fogo sobre a baía. A estreia foi em 1806, com a chegada dos ingleses, e não funcionou: a esquadra desembarcou longe do alcance dos canhões e tomou as baterias de terra pelas costas. Só a ilha resistiu, e resistiu até acabarem a munição e a comida. Depois da rendição serviu por um tempo como cemitério britânico.
Mais duas informações, caso alguém pergunte na lancha. Foi na ilha que nasceu, em 26 de abril de 1769, Pedro Medrano, que terminou deputado no Congresso de Tucumán que declarou a independência da Argentina. E o bosque que hoje a cobre é do fim do século XIX: depois do incêndio que a deixou pelada, o primeiro prefeito de Maldonado, Juan Gorlero, o mesmo da avenida, mandou plantar pinheiros marítimos.
Isla de Lobos: olha, mas não pisa
A outra ilha fica bem mais longe e não se parece em nada com esta. São 43,5 hectares de rocha a 8,1 quilômetros da costa, com um ilhote de 1,3 hectare ao lado e uns vinte afloramentos rochosos em volta: é o ponto emerso mais ao sul do Uruguai, e ali vive a colônia de lobos e leões-marinhos que o porto só insinua. Qual é qual, e quantos são de cada espécie, é outra história.
Desde agosto de 2024 a ilha, o ilhote e uns 40 km² de mar em volta formam o Parque Nacional Isla e Islote de Lobos, a primeira área inteiramente oceânica do sistema uruguaio de áreas protegidas. O decreto que o criou proíbe expressamente o desembarque de visitantes com fins de recreação ou turismo, inclusive no perímetro rochoso, e também o uso do espaço aéreo abaixo de 500 metros com fins recreativos ou comerciais, o que em bom português quer dizer que o drone também não.
Se alguém oferecer descer na Isla de Lobos, está vendendo uma coisa que o decreto proíbe. Os passeios dão a volta pela água e voltam; ninguém pisa na ilha, nem na rocha ao lado.
O farol da foto é o mais alto da América do Sul: 59 metros, um clarão a cada cinco segundos e alcance de uns 40 quilômetros. Foi aceso pela primeira vez em 1858, reconstruído em 1906 e funciona sozinho desde 2001. É aquela luz distante que pisca no mar à noite, enquanto o farol da cidade se vê de perto e a pé.
2 km
Ilha Gorriti
Você atravessa e passa o dia.
8,1 km
Isla de Lobos
Você dá a volta e não desce.
O passeio à Isla de Lobos: quanto dura e quanto custa
Sai do mesmo porto, dura umas duas horas e quinze minutos e consiste nisso: navegar até a ilha, dar a volta em torno dela e voltar. Não é um transporte, é um passeio de barco: a lancha sai quando fecha o grupo, com mínimo de oito passageiros, e a melhor época anunciada pelas próprias empresas vai de dezembro a maio. O preço publicado em setembro de 2026 fica em torno de $3.000 por adulto, uns US$ 75, de novo como ordem de grandeza e não como tabela.
Dois avisos antes de pagar. O primeiro é que lá fora é oceano aberto, e não a baía: se você enjoa em barco, é melhor saber disso antes. O segundo é de calendário: entre julho e outubro a baleia-franca-austral passa por esta costa, e ela se observa da beira ou com operadores registrados para isso, o que não é o mesmo que este passeio.
Se você acabou de chegar e as ilhas são uma parte do plano, e não o plano inteiro, o resto está contado na nota sobre o que fazer em Punta del Este, e as duas orlas do balneário, na das praias.
Perguntas que se repetem
Como se chega à Ilha Gorriti?
De lancha, saindo do porto de Punta del Este. A passagem é comprada no próprio cais, a travessia leva quinze minutos e o desembarque é em Puerto Cañón, do lado leste da ilha.
Quanto custa e que horas saem as lanchas?
$500 ida e volta por adulto e $400 para crianças de 3 a 9 anos, pelos preços publicados em setembro de 2026. Saem de meia em meia hora a partir das 9h e a última volta sai da ilha por volta das 18h15.
Dá para ir à Ilha Gorriti no inverno?
Dá, mas a travessia depende do tempo e de haver passageiros, e o parador da Playa Honda abre no verão. Fora de temporada vale ligar para a empresa antes de ir até o porto.
Dá para tomar banho de mar na Ilha Gorriti?
Sim, na Playa Honda e em Puerto Jardín: é a água da baía, sem onda. Na temporada há posto de salva-vidas na ilha; fora dela, não, como no resto da costa.
O que levar?
O mesmo que se leva para a praia: cadeira, guarda-sol, cooler, água e comida. Não há comércio além do parador de verão, e fazer fogo não é permitido.
Por que ela se chama Gorriti?
Por Francisco Gorriti, o comandante espanhol que mandou fortificá-la no século XVIII e que em 1752 passou um ano preso nela por se recusar a participar de uma expedição militar. Quem deu o nome, no fim, foi a prisão.
Dá para desembarcar na Isla de Lobos?
Não. Desde agosto de 2024 ela é Parque Nacional e o decreto proíbe o desembarque de visitantes com fins turísticos ou recreativos, inclusive no perímetro rochoso. Os passeios dão a volta de lancha.
Quanto custa o passeio até a Isla de Lobos?
Cerca de $3.000 por adulto, uns US$ 75, pelo preço publicado em setembro de 2026. Dura umas duas horas e quinze minutos, sai com o mínimo de oito passageiros e a temporada anunciada pelas empresas vai de dezembro a maio.
Dá para ver lobos-marinhos sem sair de barco?
Dá, e sem pagar nada: eles vivem no porto o ano inteiro, a poucos metros das bancas de peixe. Onde e a que horas vê-los depende da volta da frota, não de um horário.
Enquanto a lancha não sai
A travessia sai do porto, e o porto é o meio da península, não o fim dela. «La otra Punta del Este» é um passeio narrado que atravessa do lado bravo ao manso, passa justamente por aqui e termina à beira da água, contado por Graciela, que nasceu nesta cidade quando ela ainda era uma vila de pescadores. Você descobre o que havia nesta baía antes dos prédios, e bastante mais.
Uma hora · 3,8 km · sem app, abre no navegador · sem grupo e sem horário · $U 199 ≈ US$ 5 · narrado em espanhol
Fotos: Juan Pablo Orradre (CC BY-SA 3.0) · Alvaro Errandonea (CC BY 3.0) · Sandra Pineda Arce La Torre (CC BY-SA 3.0)