A Mão de Punta del Este: a história por trás dos dedos
Notas da Andante · 6 minutos de leitura
Cinco dedos de concreto saem da areia da Playa Brava desde 1982. A escultura mais fotografada do Uruguai foi feita em seis dias, não se chama «A Mão», e o autor deixou sem resposta, de propósito, a pergunta que todo mundo faz na frente dela.
- O que é
- Uma escultura de cinco dedos que saem da areia
- Nome oficial
- «Homem emergindo para a vida»
- Como chamam aqui
- «Os Dedos», «Monumento ao Afogado»
- Autor
- Mario Irarrázabal, escultor chileno
- Quando
- Verão de 1982, seis dias de obra
- Onde
- Playa Brava, Parada 1, Punta del Este
- Entrada
- Livre, sem horário
Nove escultores, uma praça e uma praia vazia
Em fevereiro de 1982, Punta del Este sediou o primeiro Encontro Internacional de Escultura Moderna ao Ar Livre. Chegaram nove escultores. O mais novo era Mario Irarrázabal, chileno, de 41 anos.
Enquanto se discutia qual obra ficaria em cada canto da praça, ele resolveu a questão por outro caminho: foi para a areia. Pela praia ninguém estava discutindo. Em uns seis dias levantou cinco dedos de concreto e plástico sobre vergalhões e tela metálica, saindo da areia como se o resto do corpo continuasse embaixo.
Daquele verão sobraram várias obras pela região. A dele é a única que segue onde foi feita, e a que acabou virando o símbolo do balneário.
É bem nesses dedos que começa o passeio narrado da Andante pela península.
Ela está se afogando ou nascendo?
O título que Irarrázabal deu foi «Homem emergindo para a vida». Os vizinhos batizaram de outro jeito, e foi esse nome que ficou na rua.
O autor chamou de
Homem emergindo para a vida
O povo chama de
Monumento ao Afogado
O lugar não é acaso: a Playa Brava olha para o oceano aberto e é a das ondas fortes, então o afogado funciona também como aviso, e foi esse o sentido que o autor deu. Este mar não perdoa distração.
Irarrázabal nunca escolheu entre as duas versões, e talvez seja por isso que a escultura continue funcionando: cada um decide o que está vendo.
Em vídeo
Está se afogando ou nascendo?
A mesma discussão, contada em 32 segundos. O vídeo está em espanhol.
As irmãs de A Mão
A de Punta del Este foi a primeira, mas não a única. Irarrázabal repetiu o mesmo gesto em outras partes do mundo: a «Mão do Deserto», gigante e sozinha à beira da estrada em pleno Atacama, e outras mãos em Madri e em Veneza. A irmã mais velha está aqui, na areia da Brava.
Onde fica e como chegar
A Mão fica na Playa Brava, na altura da Parada 1, a uns dez minutos a pé do porto e da avenida Gorlero. Dá para chegar caminhando de quase qualquer ponto da península, e há estacionamento na rambla.
Quando ir para ter os dedos sem gente
Às sete a praia é sua, e a luz vem do mar.
Ao amanhecer
Em janeiro tem fila para a mesma foto.
Na temporada
Entre dezembro e fevereiro os dedos quase nunca estão sozinhos. Vá cedo: é a única hora sem fila, e a que melhor mostra a escultura, porque o sol vem de frente, direto do oceano.
Perguntas que se repetem
Quem fez A Mão de Punta del Este?
O escultor chileno Mario Irarrázabal, no verão de 1982, durante o primeiro Encontro Internacional de Escultura Moderna ao Ar Livre.
Qual é o nome verdadeiro da escultura?
O nome oficial é «Homem emergindo para a vida». Em Punta del Este a chamam de «Os Dedos» e também de «Monumento ao Afogado».
Onde fica A Mão de Punta del Este?
Na Playa Brava, na altura da Parada 1, a uns dez minutos a pé do porto e da avenida Gorlero.
Quanto custa para ver?
Nada. Ela está na praia, ao ar livre, sem ingresso e sem horário.
A que horas vale a pena ir?
Cedo, de manhã. Na alta temporada há fila para a foto; ao amanhecer a luz vem do mar e a praia ainda está vazia.
Por que ela está na Brava e não na Mansa?
Porque o sentido era avisar: a Brava é a costa do oceano aberto, a das ondas que levam gente. Na Mansa, que é o rio, o aviso não teria a quem avisar.
Dá para subir nos dedos?
As pessoas sobem e não há grade que impeça, mas a escultura tem mais de quarenta anos e o concreto vai descascando. A foto de baixo vale mais, e é a única que mostra a mão inteira.
Quanto tempo leva a visita?
Dez ou quinze minutos: olha, dá a volta, fotografa. É por isso que quase todo mundo volta logo para o carro, e é por isso que a península fica sem ser vista.
Onde termina a foto, começa outra Punta
Para a maioria, A Mão é uma foto e uma volta para o carro. É exatamente ali que arranca «La otra Punta del Este»: um passeio narrado que começa nos dedos e percorre a península, contado por Graciela, que nasceu aqui quando isto era um povoado de pescadores. A história avança conforme onde você está: se parar para olhar, ela espera.
Uma hora · 3,8 km · sem app, abre no navegador · sem grupo e sem horário · $U 199 ≈ US$ 5
Fotos: Rosina Peixoto (CC BY-SA 4.0) · María Cecilia (CC0) · Eduardo Rauschert (CC BY-SA 3.0) · Davi Sanchez (CC BY 2.0) · Zonda Bez (CC BY-SA 2.0)